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Prancha 4

DE PROFANO A YESHUA BEN YOSEPH

Anticipei, ansiosa e quiçá fonéticamente trémula, a leitura desta minha primeira prancha. Vejamos se assim é, agora que me coloco entre colunas (quais braços de irmãos apartados que me acolhem), e diante do Grande Oriente ( qual luz que me guia e ilumina).

Começo por pedir perdão pela ingenuidade da ideia e pela parcimónia do verbo, reiterando humildemente o profundo respeito a quem dedico este meu primeiro trabalho, bem como a ínestimável amizade fraternal a quem o apresento.

Escreveu um N.’.Q.’.I.’., sobre a angústia da escolha de um tema que, esta pode ser tal, que quase somos tentados a plagiar um outro trabalho já publicado. Por lhe reconhecer tamanha razão, mas acima de tudo, confesso, porque fui parco no tempo que tirei aos meus dias para a preparação desta prancha, decidi afastar-me de tais tentações de originalidade, e exaustiva investigação, e “preguiçar” sobre um tema que conheço muito bem, que não requereu investigação digna de registo, ou seja, Eu.

Após o "mea culpa", quase silício, a que já me obriguei pela pobre contribuição que este trabalho possa aportar a uma assembleia, talvez a alegria e a excitação que sinto ao partilhá-lo pela primeira vez com os meus queridos irmãos, permita daquela alguma tolerância e destes, a compreensão para com este aprendiz, que mais não pretende do que dizer dos porquês de querer ser um verdadeiro maçon.

Sempre, desde muito pequeno, procurei agir honrando valores tão nobres como a Fraternidade, a Igualdade e a Liberdade, reconhecendo esta como a mais complexa, na prática, pela sua abrangência do indivíduo ao colectivo e as várias interpretações a que pode ser sujeita.

Também sempre me me fascinou a figura, a palavra e a obra de um homem que uns elevaram a Cristo, e que tantos, depois destes, o acreditaram e acreditam como o Messias Salvador. Nenhuma destas condições (tal seria a veleidade ou até heresia) influenciou a escolha do meu baptismo maçónico. Foram a sua coragem, capacidade de amar o próximo e espiritualidade que sempre me fascinaram, e agora, são estímulo ao desenvolvimento do meu sentir maçónico.

Numa Era em que imperava a força bruta da lei do mais forte sobre o mais fraco, esse galileu chamado Yeshua Ben Yoseph, ou Jesus Filho de José, respondeu ao ódio com amor, á indiferença com compaixão, à brutalidade com a não violência. Ensinou que o caminho espiritual começava na terra e no amor do homem pelo homem.

Em boa verdade, nunca me identifiquei com nenhuma das formas que me foram dadas a conhecer para melhor compreender e apreender a sua palavra. Também, jamais, limitei os meus horizontes ou franqueei o meu eu espiritual a outra que, talvez mais munida de argumentos espirituais e operativos, me ajudasse a melhor entender este meu agradável, forte, misterioso até, fascínio por este homem.

Dividido entre várias interpretações , poucas por certo, busquei entre o divino e o terreno encontrar a minha espiritualidade. Debalde.

Profano cresci, e naturalmente padeço das muitas imperfeições e parcas virtudes da espécie humana, continuava sem vislumbrar o caminho. Essa busca sem norte, levou a que a minha interpretação de um Deus Todo Poderoso, Omnipresente, Omnipotente e Misericordioso fosse até agora algo distorcida, pois velados estavam os meus sentidos pela confusão, ignorância e desnorte que, não me era permitido ver o caminho em direcção à minha espiritualidade e ao seu "sentido".

A revolta interior que sentia por este vazio espiritual, é agora motivo de arrependimento pessoal. Tivera eu, em mais tenra idade canalizado energia nesta demanda, melhor teria feito. Sucumbi à minha própria inércia, percebendo só agora os anos de trabalho maçonico que perdi. De vista turva, perdido, mas acomodado, fui resgatado desta letargia espiritual, quiçá por acaso quiçá não, por um querido irmão nosso que, hoje, muito me honra ter como padrinho.

A minha Iniciação foi como uma brisa que ao passar levantou ao de leve a ponta desse véu escuro e denso que vela os profanos, como eu. Foi depois, na Sala Húmida, que a brisa se fez vento, calmo, sereno, mas eficaz ao descobrir do sol a Luz que dele emana, quando ao partilhar o pão e o vinho, com estes homens a quem hoje quero como irmãos, senti a magia, a força da Trindade Maçónica e me senti tão livre, igual e fraterno quanto eles. Aí, decidi o meu nome maçónico tão cheio de simbolismo e espiritualidade como toda essa experiência que eu estava a passar, pois vi que: simbolicamente, sou o aprendiz de pedreiro; Simbolicamente, o grande espírito de todo o universo é o arquitecto; Simbólicamente, Yeshua Ben Yoseph é o engenheiro do templo interior que quero construir; Simbólicamente, o meu V.M. é o mestre da obra, grande oriente que guia e dirige; Simbólicamente, os meus irmãos são os leais mestres, pedreiros e aprendizes como eu. Juntos, são a força de que necessito para iniciar e levar por diante até ao meu ultimo sopro de vida, a construção do meu templo interior. Quanto maior e mais sólido ele for, melhor Deus estará dentro de mim, pois é essa a omniscencia, é essa a omnipresença, é esse o poder do amor de Deus. Á glória do G.A.D.U. , serei eu a Sua casa.

Sou maçon porque acredito na fraternidade dos homens, na melhoria do ser humano e na elevação do espírito. Chamo-me Yeshua Ben Yoseph para homenagear o alquimista espiritual que, pela primeira vez na história da humanidade, juntou o sal do amor fraterno ao conhecimento, disse que os homens eram todos iguais e que os mesmos deveriam ser livres de corpo e alma. Assim se glorificaria o Criador, Grande Arquitecto do Universo, que está em todos nós.

Serei maçon, sempre que os MM.’.QQ.’.II.’. me reconheçerem como tal, e me aceitarem no seu seio. Tudo farei por merecer esse reconhecimento. Chamarem-me de Yeshua, fará de cada cada um de vós a cada chamamento, sentinelas bem alerta, avisando-me da responsabilidade da minha condição e do nome que escolhi.

T.’.A.’.F.’.

Tenho Dito

Enviado por Yeshua Ben Yoseph em Maio de 2008