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Prancha 1

Instrução e Aprendizagem Maçonica

Aos Meus Queridos Irmãos Aprendizes.

O trabalho do Maçon tem três dimensões fundamentais.

A primeira dimensão consiste na construção do Templo Interior. Aperfeiçoamento constante de cada um de nós, aproximando-nos do G.·.A.·.D.·.U.·., elevando-nos espiritualmente, combatendo e vencendo as nossas paixões, que nos agarram ao mundo material e iludem, ultrapassando desejos e vontades que são produto do egoísmo próprio de qualquer alma em estado bruto. É a este trabalho, que nós chamamos simbolicamente desbastar a pedra bruta, expressão herdada da maçonaria operativa e que tem sido transportada pela maçonaria especulativa através dos séculos.

No Grau de Aprendiz deve-se reflectir sobre o Vício e a Virtude, interiorizando tudo o que se aprendeu sobre a Verdade e a prática da Virtude.

Sem Virtude não se pode chegar à Verdade.

Só a pedra cúbica poderá ser utilizada na construção do templo.

Só o Maçon que percorreu este caminho pode ser útil ao seu semelhante, contribuindo para a construção de um mundo melhor. Esta é uma tarefa sempre inacabada, que nos deve manter activos desde a iniciação até à passagem ao Oriente Eterno.

Devemos ser sempre, eternos aprendizes.

A Maçonaria exige dos seus membros, entre outras condições, boa reputação moral. Exige tolerância para com toda a forma de manifestação de consciência, de religião ou de filosofia, cujos objectivos sejam os de conquistar a verdade, a moral, a paz e o bem-estar social.

A doutrina maçónica orienta os seus membros a dedicarem-se à felicidade dos seus semelhantes, não somente porque a razão e a moral lhes impõem tal obrigação, mas também porque esse sentimento de solidariedade nos faz irmãos.

A segunda dimensão do trabalho maçónico consiste na prática do ritual; construção do Templo em que nos encontramos.

Dinâmica e simbolismo que nos permitem abrir a mente para a realidade do mundo superior, beneficiando das energias positivas de todos os Irmãos e vencendo todo o tipo de pensamentos negativos.

O ritual que nós praticamos, bem como a decoração do nosso Templo, transmitem uma fortíssima mensagem simbólica que permite atingir o conhecimento àquele que pode e quer ver. Para isso, é absolutamente necessário que todo o tipo de preconceitos, juízos de valor ou dogmas veiculados pelos agentes do mundo profano, tenham sido removidos. A única forma de utilizar correctamente o método maçónico de aprendizagem é estar totalmente aberto a procurar a luz, fonte de todo o conhecimento, sem correntes que nos prendam à ignorância, ao fanatismo ou à ambição material. A busca do conhecimento é um caminho individual, de introspecção, análise e vivência, que ninguém pode percorrer por outrem, transmitindo-lhe um produto acabado.

No entanto, a prática ritualista promove e potencia o desenvolvimento espiritual do Maçon. É um trabalho conjunto com enorme projecção individual.

A evolução proporcionada pelas duas primeiras dimensões do nosso trabalho, realizado no mundo sagrado, não deve levar ao fecho do Maçon sobre si próprio, mas deve ser transportada para o exterior, participando na construção do Templo Mundo, contribuindo decisivamente para a transformação do mundo profano, através da valorização da cidadania e do aperfeiçoamento moral e ético da sociedade.

Esta terceira dimensão do trabalho maçónico, tem no culto da tolerância um referencial fundador.

Assim, os maçons são, naturalmente, opositores firmes de todos os sistemas que desrespeitem a liberdade política, religiosa ou filosófica, levando-nos esta condição a encarar de frente a possibilidade de um dia ter-mos de sacrificar a vida, em defesa dos nossos valores.

As fogueiras da Inquisição, o degredo, os campos de concentração nazis e não só, pelotões de fuzilamento ou mesmo o enforcamento, são lembranças do passado que temos de manter bem vivas, para que não se repitam na História da Humanidade. Considerar como um dado adquirido, tantos e tantos progressos que a espécie humana realizou, por intervenção de Irmãos nossos, poderá revelar-se um erro que nos custará bem caro.

Tenham sempre presente, que nós constituímos uma ameaça permanente a qualquer força totalitária, pelos princípios que nos orientam e defendemos, razão pela qual somos um alvo privilegiado de todos os ditadores.

Nenhum regime intolerante, político ou religioso, pode conviver pacificamente com uma Maçonaria forte.

Assim, a defesa da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, da tolerância religiosa, da democracia e do respeito pelos direitos humanos fundamentais, deve ser preocupação diária, no nosso trabalho sobre o mundo profano.

O vosso trabalho, o nosso trabalho, exige a conjugação destas três dimensões de forma harmoniosa para que seja plenamente conseguido.

Que o G.·.A.·.D.·.U.·.nos ilumine e nos guie nesta missão.

Enviado por Cagliostro em Maio de 2008