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Maçonaria, Sociedade e Política: Uma Visão Histórica, em Seia. Principais Dignatários da Maçonaria Portuguesa reunidos no mesmo evento.

O Arquivo Municipal de Seia vai promover, nos dias 14 e 15 de Novembro, mais uma edição das Jornadas Históricas, desta vez subordinadas ao tema “Maçonaria, Sociedade e Política: Uma Visão Histórica”.

O evento traz a Seia personalidades como Fernando Catroga, Maria Belo (Grã Mestre da Grande Loja Femenina de Portugal) e António Ventura, ligados ao Ensino em Portugal. Estarão ainda presentes Salvato Telles de Menezes, da Fundação D. Luís I, António Lopes, director do Museu Maçónico do GOL, Alfredo Caldeira da Fundação Mário Soares, António Reis (Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano), Feliciana Ferreira, Martin Guia (Grão Mestre da Grande Loja Legal de Portugal) e António Arnaut (Past Master do Grande Oriente Lusitano) e ainda Frei Bento Domingues do Instituto São Tomás de Aquino.

As 11ª Jornadas terão lugar no Centro de Interpretação da Serra da Estrela e contarão com a creditação do Conselho Cientifico Pedagógico de Formação Contínua (CCPFC), para efeitos de progressão na carreira docente “06 créditos”.

No âmbito do programa a Casa Municipal da Cultura recebe no primeiro dia do evento, pelas 21:30h, o concerto “Flauta Mágica de Mozart”, da Orquestra do Norte.

COMO ELES FALAVAM DE MAÇONARIA – Escutas do processo Portucale

Abel Pinheiro e Rui Gomes da Silva ficaram indignados com José Sócrates: o novo Governo do PS afaste a maçonaria do poder. O maçon Rui Silva Pereira também aparece nas escutas.

A 6 de Março de 2006, seis dias antes de o novo Governo Socialista tomar posse, Abel Pinheiro, o homem das finanças do CDS-PP, pegou no telemóvel e ligou ao social-democrata Rui Gomes da Silva, “o Maçon adormecido” que acabara de deixar o cargo de ministro dos assuntos Parlamentares.


Em plena investigação do processo Portucale (um caso de alegado tráfico de influências para a aprovação de um projecto imobiliário do grupo Espírito Santo), a conversa passou pela maçonaria e pelo seu poder. Abel Pinheiro e Gomes da Silva concordavam que os maçons estavam sob fogo cerrado de José Sócrates. O futuro primeiro ministro era acusado de afrontar a irmandade do Grande Oriente Lusitano (GOL) ao não acolher nenhum maçon para o Governo.


Abel Pinheiro e Rui Gomes da Silva defendiam que as nomeações para ministro teriam de respeitar uma espécie de quota maçónica. E estavam indignados por Sócrates não seguir o jogo de bastidores, afastando a maçonaria (e também o Opus Dei) dos lugares de decisão politica. Também diziam que a ausência de apoio maçónico iria deixar vulnerável o futuro Governo. Os dois homens falavam dos nomes de muitos socialistas preteridos, como José Lello ou Vitalino Canas, e comentaram os futuros ministros de Sócrates – a maior parte de forma pouco abonatória, segundo Abel Pinheiro, o irmão Jorge Coelho, com quem disse ter falado por causa de vários assuntos pendentes do Governo PSD/CDS (que não especifica), andaria de cabeça perdida com as escolhas. Mas já teria garantido que iria impedir que António José Seguro chegasse a líder parlamentar do PS.


Questionado pelo SÁBADO, Jorge Coelho assegura que nunca fez favores maçónicos ou não, a Abel Pinheiro relacionados com negócios aprovados pelo Governo PSD/CDS. “Ele nunca me pediu nada, nem em 2005, nem noutra ocasião qualquer”, diz.


Quanto ás várias citações que Abel Pinheiro lhe atribuiu nas escutas telefónicas, Coelho não tem duvidas: “Ele fala do que sabe e do que não sabe”.


A LOJA MAÇÓNICA de Abel Pinheiro, a Convergência, sempre foi vista como uma das mais poderosas dentro do GOL. Antes das batalhas internas e da cisão, ocorrida em Julho de 2006, a Convergência chegou a juntar figuras ligadas ao PS, como o presidente do Tribunal Constitucional, Nunes de Almeida, António Vitorino, Vitalino Canas, Rui Pereira e José Nuno Martins.


O próprio Abel Pinheiro, que juntamente com Rui Pereira saiu para fundar a loja Luís Nunes de Almeida (em homenagem ao antigo venerável falecido em Setembro de 2004), chegou a referir nas escutas que, durante os governos de António Guterres, a Convergência era conhecida como o Gabinete.


A SÁBADO não conseguiu apurar quais os outros membros que passaram pela Convergência, mas os Governos de Guterres contaram com muitos maçons, como os ministros João Cravinho e Jorge Coelho e os secretários de Estado Rui Pereira, Fausto Correia, Ricardo Sá Fernandes, Carlos Zorrinho, José Miguel Boquinhas e Leonor Coutinho (maçonaria feminina).


Umas das referências ao Gabinete aparece na conversa que Abel Pinheiro teve, a 3 de Março de 2005, com o advogado Corrèa Mendes, do escritório Corrèa Mendes e Associados. O advogado, que tinha apresentado o seu atestado de quite (documento que solicita a saída), queria regressar ao GOL e precisava dos bons ofícios do amigo. Este prometeu-lhe apressar o reingresso.


NAS ESCUTAS TELEFÓNICAS gravadas no processo Portucale são muitas as referências à Maçonaria, com Abel Pinheiro a citar os “irmãos” Bueno de Matos (na altura acessor de imprensa do Tribunal Constitucional, ou Jorge Sá, professor universitário especialista em sondagens.


Abel Pinheiro tinha, de resto, ideias muito definidas sobre o que julgava ser o poder da Maçonaria em Portugal. Isso constata-se noutra conversa telefónica, em Maio de 2005, com o “irmão” Rui Pereira, actual ministro da Administração Interna. Durante a discussão sobre as eleições para grão mestre do GOL, a mais importante corrente maçónica portuguesa, que iriam realizar-se no mês seguinte, Abel Pinheiro não hesitou em criticar a acção do grão-mestre cessante, António Arnaut. Defendia que Arnaut, um ex-ministro da Saúde do PS, estava sedento de honrarias publicas para o GOL (aspecto que Rui Pereira via também como protagonismo saloio) quando tinha era de recusar as condecorações, porque o GOL é que deveria conferir, na sombra, dignidade e honrarias.


De resto, dizia, era isso que sempre tinha acontecido ao longo dos tempos, uma vez que pelo GOL já haviam passado centenas de políticos, vários primeiros ministros e Presidentes da Republica. Mas Abel Pinheiro e Rui Pereira achavam que Arnaut estava velho para a tarefa de restituir ao GOL a força de outros tempos.


Para os dois, o novo homem era outro socialista, o ex-deputado do PS e professor universitário António Reis. Era nele que iriam votar (Reis foi eleito grão-mestre) apesar de pertencerem à loja onde era venerável outro candidato, o arquitecto Luís Conceição. Mas os dois viram com desdém a candidatura de Conceição e até combinaram que iriam exercer pressão para que não avançasse. Umas das razões para a oposição á candidatura passava por um alegado favor que o candidato a grão-mestre teria pedido a Abel Pinheiro – seria um aumento de mil euros mensais que Luís Conceição (arquitecto na Câmara Municipal de Lisboa, com quem a SÁBADO não conseguiu falar após o fecho da edição) queria para resolver problemas pessoais. No entender de Abel Pinheiro, alguém que precisava deste montante para viver não teria nível para dirigir a maçonaria.


AS ESCUTAS
do processo Portucale referem o almoço do 49º aniversário de Rui Pereira, actual ministro da Administração Interna. A 25 de Março de 2005, Abel Pinheiro relatou o almoço a Paulo Portas, dizendo que Pereira que fora director do SIS, tinha reunido a nada dos serviço secretos. E que tinha ouvido que a CIA os informara de que João Paulo II morreria na semana seguinte. O Papa faleceu a 2 de Abril. Rui Pereira nega tudo à SÁBADO.

António Reis reeleito grão-mestre do Grande Oriente Lusitano

O ex-dirigente socialista António Reis foi ontem reeleito, por um mandato de três anos, grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL) - Maçonaria Portuguesa, com 70 por cento dos votos. António Reis bateu a candidatura para os órgãos da instituição do militar reformado Filipe Frade, que terá obtido perto de 30 por centos dos votos. O coronel Filipe Frade e o historiador António Reis, que participaram ambos em actividades de oposição à ditadura de Salazar, são oriundos de ritos
diferentes maçónicos.

ELEIÇÕES NO GOL PROVOCAM ZANGA ENTRE IRMÃOS

O socialista António Reis, actual grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), e o tenente-coronel Filipe Frade disputam a liderança da mais influente corrente maçónica portuguesa. Previstas para este Sábado,7, as eleições do GOL realizam-se em ambiente de polémica interna. A loja 25 de Abril, apoiante de Reis e cuja figura principal é o coronel Vasco Lourenço, fez até um abaixo assinado a contestar violentamente a candidatura de Frade.

Segundo a SÁBADO apurou, numa das reuniões da Dieta – o parlamento maçónico – Vasco Lourenço abandonou mesmo a sala dizendo que não “podia estar debaixo do mesmo tecto” de Filipe Frade.

A actuação de Frade no GOL, onde lidera a corrente dos altos graus franceses, podará ser alvo de um processo disciplinar, uma vez que têm surgido várias queixas de não estar a cumprir os acordos com o GOL quando realiza reuniões da sua corrente no palácio maçónico, no Bairro Alto. Além disso é acusado pelos seus detractores de “iniciar maçons em massa” e de levar á sede do GOL mulheres que foram expulsas da maçonaria feminina.

No seu programa eleitoral, ao qual a SÁBADO teve acesso, Filipe Frade defende-se sem criticar situações especificas, garantindo que estão “iminentes actos anunciados que vão contra a integridade das lojas”. E diz que cabe a estas a “liberdade de receber e acolher (...) quem bate á porta”.

A ideia é contestada no programa de António Reis. O actual grão-mestre defende que “a ausência de critérios na selecção de candidatos à iniciação comporta custos que serão muitíssimo elevados”. E, ao contrário de Frade, quer comprar novos templos no interior do País. Dinheiro já terá, pois o GOL vendeu recentemente, por 900 mil euros, ao coronel Luís Silva, uma vivenda no concelho de Oeiras.

Centenário da Grande Loja de Itália

 

 

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Grande Loja de Itália comemorou em Roma, neste mês de Outubro, o seu primeiro centenário. António Reis, em representação do Grande Oriente Lusitano - Maçonaria Portuguesa, esteve presente.

 

As comemorações, que decorreram nos dias 10,11 e 12, revestiram-se de grande brilho e dividiram-se em duas iniciativas de grande relevo: o “1º Encontro de jovens franco-maçons da Grande Loja de Itália e de Outras Obediências”, que se realizou no dia 10; e um Congresso Internacional subordinado ao tema “1908-2008, um século de vida, um século de tradição, um século de empenho na defesa da liberdade”

 

Eleições no GOL

António Reis recandidata-se a chefe da maior obediência maçónica portuguesa. Enfrenta Filipe Frade, coronel reformado. No sábado saber-se-á o resultado. Divide-os a gestão do valioso património imobiliário da instituição, cujo valor ascende a milhões de euros.

Eleições para grão- -mestre do GOL começam amanhã.

O Grande Oriente Lusitano (GOL) vai a votos. A partir de amanhã, os "irmãos" da maior obediência maçónica portuguesa começarão a colocar os seus votos nas urnas. Dia 7, sábado, os resultados serão anunciados.

Apresentaram-se dois candidatos: António Reis, actual grão-mestre, que tenta um segundo mandato de três anos (foi eleito para o primeiro em Junho de 2005) e Filipe Frade, coronel na reforma, homem que, como Reis, esteve também ligado ao combate à ditadura no Estado Novo (nomeadamente na LUAR, um grupo que tentou a via armada).


Membros do GOL ontem ouvidos pelo DN adiantaram que a principal divisão entre Reis e Frade reside na solução para a gestão do valiosíssimo património imobiliário da instituição. Estão em causa, nomeadamente, edifícios situados no centro de Lisboa, e cujo valor ascende a milhões de euros.

O GOL tem como braço legal o Grémio Lusitano, instituição com número de contribuinte e personalidade jurídica formalizada.

António Reis pretende, na órbita do Grémio, criar uma Fundação Grémio Lusitano. Ela irá, segundo o programa apresentado pelo recandidato a grão-mestre - e a que o DN teve acesso - "contribuir decisivamente para a salvaguarda e valorização de todo o património" da obediência. Isto através de "meios de gestão em moldes adequados aos tempos actuais, capazes de rentabilizar todo o património" do GOL.

"Este impulso [para a criação da Fundação Grémio Lusitano] foi sem dúvida decisivo para deixarmos de ser um conjunto de lobbies com interesses distintos e nos tornarmos uma verdadeira Obediência, dotada dos meios próprios para a prossecução dos fins próprios da Maçonaria", lê-se ainda no programa de António Reis.

Segundo o DN apurou, Filipe Frade contesta esta solução para a gestão do património imobiliário do Grande Oriente Lusitano. Aparentemente, receia que ao concentrar-se a gestão de "todo o património" numa instituição formalmente externa ao GOL, este acabe por perder o seu controlo.

No seu programa de candidatura, a que o DN teve acesso - e que está escrito numa linguagem quase ininteligível para qualquer "profano" (não-maçon) - diz que está "instalada" a "confusão entre construção maçónica e construção civil". E esta "confusão" - acrescenta - "não é apenas um retrocesso, antes revela o método que tem passado do exterior - a visualidade das obras públicas - para o interior, em tais circunstâncias de forma infamante e lesivo da Honra e Dignidade Maçónicas."

Ou seja: Filipe Frade opõe-se à concentração num só organismo maçónico da gestão de "todo o património" da obediência, como defende Reis. E se o seu projecto se concretizar, isso significa que se está na "iminência de actos que vão contra a integridade das Lojas".

Numero de maçons liberais duplicou na ultima década - Maçonaria em Portugal

O número de maçons está a crescer em Portugal?

Está a crescer muito sustentadamente. Pode dizer-se que nos últimos dez anos duplicou o número de membros do Grande Oriente Lusitano (GOL), a obediência liberal (admite membros ateus e agnósticos) que está a crescer mais, que já era a maior e mais antiga, e continua a crescer, num ritmo que anda à volta de 5% ao ano.

Quantos membros tem o Grande Oriente Lusitano?

Entre mil e dois mil. Há maçons regulares que estão a regressar ao GOL. Tem sido um movimento contínuo e regular nos últimos anos, é verdade.

É por convite que se entra na Maçonaria?

Em regra geral, sim, mas não obrigatoriamente. Quem não tenha contactos e conhecimentos dentro do GOL pode na mesma apresentar a sua candidatura, que será alvo do mesmo nível de escrutínio de qualquer outra candidatura, mesmo que venha de membro do GOL.

De que consta esse escrutínio?

São os valores do candidato em relação aos motivos que o levam a pretender entrar na Maçonaria. É inquirido sobre o seu passado, tem de ser bem escrutinado, somos muito selectivos. Queremos crescer, mas em qualidade.

Há candidatos jovens?

Cada vez mais, nos últimos anos isso é visível.

Há explicação para esse facto?

Nos últimos dez anos aquela sedução para grandes ideologias, que tudo pretendiam explicar desde o origem do mundo até ao fim da história, tem vindo a desaparecer. Portanto, a Maçonaria vem preencher um certo vazio espiritual, um certo vazio de valores e de concepções do mundo que se foi criando na última década.

Que sectores da sociedade procura a Maçonaria?

Profissionais liberais e universitários. Mas não exclusivamente, nem queremos colocar barreiras de carácter social ou cultural.

A Maçonaria é uma sociedade elitista?

Sim, no bom sentido da palavra. Não no sentido de aristocracia orgulhosa e arrogante, mas no sentido de uma elite de carácter moral e cívico. Isso sem dúvida.

Faz algum sentido uma sociedade secreta, ou se se quiser discreta, em plena democracia?

Mesmo em democracia, particularmente aqui em Portugal, a condição de maçon pode originar perseguições, incompreensões e prejuízos da vida profissional.

Ainda hoje?

Ainda hoje, infelizmente. Vivemos décadas de ditadura, a própria Igreja Católica durante séculos acabou por criar na sociedade uma imagem da Maçonaria completamente deformada, como se fosse uma seita apostada na conquista do poder por meios ilícitos, de uma seita que pretendia simplesmente destruir as religiões, o que não é verdade. Fazemos questão em ter crentes de diferentes religiões, para além de ateus e agnósticos.

Filipe Frade candidata-se a G.’.M.’. do GOL

O lugar do próximo Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL) ­ a obediência maçónica mais antiga de Portugal ,poderá vir a ser ocupado por um maçon natural de Vila Franca da Beira concelho de Oliveira do Hospital. Trata-se de Filipe Frade, um militar na reserva, que no próximo dia 7 de Junho vai disputar as eleições do GOL com o actual grão-mestre, António Reis, que se recandidata ao lugar.

Natural de Vila Franca, localidade onde habitualmente reside, Frade ­ um alto grau da maçonaria passou grande parte da sua vida na Bélgica e tem fortes ligações ao Grande Oriente Belga, onde foi iniciado.

A maçonaria está instalada em Portugal desde o século XVIII e em 1738 foi considerada pela igreja católica como uma ³heresia perversa². O General Gomes Freire de Andrade, que chegou a alcançar o título de 3º Conde da Bobadela, foi grão-mestre do GOL e, em 1817, foi enforcado sob a acusação de ³conjura liberal².

No período do Estado Novo, a maçonaria portuguesa foi sempre alvo de várias perseguições e é após o 25 de Abril que aquela obediência é reabilitada.

Em Oliveira do Hospital, existem hoje vários maçons e a maior parte deles reúne numa loja do GOL, localizada em Coja, concelho de Arganil. Entre os seus principais impulsionadores, encontrava-se o histórico socialista, entretanto falecido, Fernando Valle.

Na cidade, há ainda algumas marcas que os maçons deixaram na arquitectura local e até o próprio Salão Nobre da Câmara Municipal exibe ­ por cima da mesa de reuniões ­ um tríptico com simbologia maçónica, que foi mandado
pintar no tempo do Estado Novo.

MAÇONARIA QUER INTEGRAR CELEBRAÇÕES DA RÉPUBLICA

Organização Maçónica GOL quer ter lugar na Comissão Consultiva

A Maçonaria está satisfeita com a comissão nacional que vai coordenar a organização das comemorações oficiais do centenário da instalação da República, em 2010. Contudo exige ter lugar n Comissão Consultiva desta comissão, ainda por nomear, que terá um poder de visto prévio nas iniciativas programadas pela Comissão nacional, a qual será presidida pelo banqueiro Artur Santos Silva, fundador do BPI.

“É uma excelente comissão que tem todo o nosso acordo”, disse ao DN o historiador (e militante do PS) António Reis, Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), a principal obediência maçónica em Portugal. Reis sublinhou a “figura consensual” que é no seu entender, Artur Santos Silva (que o DN tentou, em vão, contactar).

A comissão será presidida por Artur Santos Silva, integrando ainda João Serra (ex-chefe da Casa Civil do Presidente Jorge Sampaio), as professoras universitárias Fátima Rolo e Raquel Henriques da Silva, e o jornalista Francisco Sarsfield Cabral.

Falando ao DN, António Reis não se queixou da ausência da representação oficial do GOL nesta comissão: “O Grande Oriente Lusitano não tinha necessariamente de ter uma representação”.

Contudo, espera que a obediência maçónica que lidera tenha representação na Comissão Consultiva que há-se ser nomeada pelo Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, com 15 personalidades de “reconhecido mérito e relevância cívica”, para, como diz a lei “assistir” a Comissão Nacional, “designadamente no que diz respeito à definição do programa das comemorações”. “Aí teremos com certeza alguém”, afirmou.

António Reis saudou ainda, pela positiva, o facto de a Comissão Nacional, nomeada pelo Presidente da República sendo os nomes propostos pelo Governo, integrar um elemento ligado à hierarquia da Igreja Católica, Francisco Sarsfield Cabral, director de informação da Rádio Renascença. “Conheço-o há quarenta anos. Sempre foi um democrata. É uma excelente escolha para cobrir também essa área da sociedade”.

A Comissão Nacional agora escolhida foi antecedida de uma “comissão de projectos” liderada por Vital Moreira e em que o GOL teve assento oficial, através de António Reis.

Essa comissão preparou uma intensa lista sugerindo iniciativas. Mas foi mais longe, dizendo que as celebrações do centenário deveriam constituir também “um impulso para reformas legislativas” como por exemplo a legalização dos casamentos gay. Cavaco Silva chumbou a ideia dizendo que as celebrações deveriam “unir os Portugueses” ao “invés de os dividir a pretexto de causas controversas”.